Raymond Aron e Gaza
O que diria Raymond Aron sobre os raids israelenses e sobre o estado crítico de Gaza?
Os arquivos digitais da Administração Bush
A administração Bush, que sai em 20 de janeiro, deixa um extraordinário volume de informações em formato digital. Apenas a Casa Branca produziu nos 8 anos do governo Bush 50 terabytes de arquivos (inclusive e-mails), que começam a ser recuperados e tratados pelo NARA. Esse volume é cinco vezes maior do que o deixado pela administração Clinton, como se vê na matéria abaixo.
Bolsas de estudos no Canadá
Oportunidade de bolsas de estudos no Canadá – divulgamos em Mundorama no início do mês.
Saiu em Meridiano 47 de novembro, e se acessa aqui ou se lê abaixo… Leia mais…
Esqueci de postar… A perspectiva de vir para a França, trabalhar sobre a França, me levou a escrever uma nota sobre o cinquentenário da V República… da França. Saiu no Meridiano 47 de outubro, e se acessa aqui, ou se lê abaixo. Leia mais…
Pós-doc
Estarei fora de circulação entre 10 de novembro e 10 de fevereiro, para fazer estágio de pós-doutorado na França. Terminarei dois livros, se conseguir juntar toda a documentação que pretendo…
Há cinquenta anos a Operação Pan-Americana
A Operação Pan-Americana – OPA é uma das iniciativas da diplomacia brasileira que podem ser consideradas fundamentais para a compreensão das inflexões da ação internacional do Brasil e do processo de amadurecimento e ampliação dos horizontes da sua visão de mundo.
Na carta que dirigiu ao Presidente Dwight Eisenhower dos Estados Unidos em maio de 1958, o Presidente Juscelino Kubitschek indicava a necessidade de revisão urgente das relações interamericanas, o que fez a partir da percepção de crescimento do sentimento anti-norte-americano nos países da América Latina e de ampla insatisfação com as linhas de cooperação para o desenvolvimento tocadas pelos Estados Unidos. A demonstração de que existia íntima conexão entre desenvolvimento econômico e as condições da segurança hemisférica introjetou na política externa do Brasil uma das idéias-força mais preciosas do pensamento diplomático brasileiro: a de que existe relação necessária entre os níveis de desenvolvimento econômico e as condições de estabilidade sistêmica, seja na América Latina ou em qualquer outra região do mundo. Afinal, o único modo de conter a penetração do comunismo (ou como se afirmava à época, de afastar o risco de contágio das ideologias estranhas à América Latina) seria justamente afastar as suas populações da miséria, promovendo-se o desenvolvimento econômico. Esta tese seria depois apropriada pelo ideário da Política Externa Independente em 1961 e, a partir daí, defendida com vigor pela diplomacia brasileira.
Ainda que os resultados concretos e diretos da OPA sejam considerados limitados, a iniciativa ganha vulto quando são examinadas as suas vinculações com o sentido geral da ação internacional do Brasil naquele momento e dali por diante. Assim, a reivindicação de um novo lugar para o país na política hemisférica e internacional, a busca de reconhecimento do seu amadurecimento político, uma nova construção de autonomia nas suas relações com os Estados Unidos e a valorização do multilateralismo como vetor da ação internacional fazem parte do legado da Operação Pan-Americana.
A Revista Brasileira de Política Internacional é contemporânea da OPA e se fez veículo da crítica social e do debate político sobre a iniciativa. Selecionamos pequeno conjunto de manifestações publicadas na revista nos seus números iniciais que analisam e documentam as origens, a evolução e evidenciam os limites da Operação.
Ainda em 1958 a Revista publicou um alentado dossiê de síntese sobre a OPA, compilando peças fundamentais para a compreensão dos fundamentos da iniciativa. Dizia a apresentação desse dossiê: “para documentação do desenvolvimento da Operação Pan-Americana publicamos a seguir: a) a Exposição feita as classes armadas pelo Presidente Juscelino Kubitschek, em reunião realizada a 17 de agosto, no Palácio Itamarati; b) notícia do debate de que a Operação Pan-Americana foi objeto na Câmara dos Deputados: c) a Nota e o Aide-Mémoire transmitidos pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil aos Governos das Repúblicas Americanas: d) o Comunicado Conjunto da Reunião dos Ministros das Relações Exteriores. expedido em Washington. a 24 de setembro: e) declaração do Ministro Negrão de Lima. divulgada a 19 de outubro. Ainda na presente Resenha publicamos: a) os discursos pronunciados por ocasião da visita do Secretário de Estado dos Estados Unidos da América: b) a conferência pronunciada em Assunção pelo Ministro Negrão de Lima: c) a correspondência trocada entre os Presidentes Juscelino Kubitschek e Alberto Lleras Camargo.
No ano seguinte Barreto Leite Filho apresentou um apanhado do estado das negociações em andamento, que era acompanhado de um novo conjunto de documentos produzidos pela chancelaria brasileira . No número 7, também de 1959, João Carlos Muniz ensaiava sobre o significado da Operação para a ação internacional do Brasil, seguido de nova compilação de documentos .
O volume 3 da RBPI, publicado em 1960, traz em três dos seus quatro números, avaliações preciosas sobre a iniiciativa: Celso A. de Souza e Silva apresentou os antecedentes e os rumos que a iniciativa poderia tomar e publicou-se nova compilação de documentos sobre a Operação . No número 10 da RBPI, publicado em junho daquele ano, José Garrido Torres examinou com circunspecção o sentido geral da iniciativa: “Assim a OPA permanece um propósito, uma expressão de sentimento, um estado de espírito, uma declaração de intenções, um convite aceito, em princípio, por todos os governos americanos para uma ação conjunta que não está planejada em termos de execução metódica, multiforme mas coordenada. Ainda não é uma política; é um diagnóstico. Aguarda um roteiro; não se lhe deu conteúdo programático. Corre o risco, portanto, de confirmar a regra das manifestações líricas em matéria de cooperação econômica no hemisfério. Poderá dissipar-se por falta de consistência”.
O número 11 da revista, publicado em setembro de 1960 traz nova avaliação de síntese da OPA, publicada na forma de uma resenha, e com ela o editor da revista assume o empenho em atualizar o leitor sobre o desenvolvimento da iniciativa, como se vê em nova resenha publicada no número seguinte.
A série de análises e de avaliações feitas por contemporâneos da iniciativa se encerra em 1961 com o artigo de T. Graydon Upton, ao tempo em que o debate social arrefece e os resultados diretos da OPA já se anunciam limitados: “a interpretação apresentada aqui não sugere, em nenhum momento, a substituição de dólares para o desenvolvimento por estandartes. A ‘Operação Pan-Americana’ somente poderá ser concretizada se o Governo norte-americano, plenamente apoiado pelo Congresso, envidar o máximo dos seus esforços nos setores econômicos e financeiros, tanto para aumentar como para tornar mais efetiva a assistência de desenvolvimento econômico e social. Mas nem só de pão vive o homem. Quando o esforço máximo econômico e social estiver sendo envidado, não deve atingir apenas as necessidades do homem, porém mentes ágeis e espíritos alevantados. Se se quiser travar uma guerra bem sucedida contra o subdesenvolvimento na América Latina, deve-se ter a escudá-la, para pessoas sensíveis, emocionais e de objetivos elevados, a dedicação de uma grande causa, pois somente dentro do espírito de tal dedicação pode o esforço e o sacrifício individuais serem suscitados, essenciais que são ao bom êxito contra tais desigualdades”.
Os ideais da OPA deitaram raízes profundas na política externa brasileira e compõem parte das suas tradições, como as conhecemos hoje. Passados cinqüenta anos do seu lançamento é tempo de examinar com novo interesse os seus resultados e a sua importância, como foi feito pela Revista Brasileira de Política Internacional nos seus primeiros dias.
2/2008 da RBPI
Fizemos mais um bom número da RBPI, o 2/2008, na minha modesta opinião…
Como se passaram 50 anos desde o lançamento da OPA, fiz para este número uma Carta do Editor, recuperando alguns dos melhores artigos publicados na RBPI desde o seu início sobre a Operação. Como o acervo da RBPI está integralmente digitalizado e publicado em Mundorama, os interessados podem dar uma olhada rápida nesses artigos que acompanharam a iniciativa do governo JK praticamente desde o seu lançamento. Esse foi um trabalho interessante e gostoso de fazer e vou publicar o texto em outro post. Pelo momento, fiquemos com esta boa edição, a número 2 do volume 51 da Revista Brasileira de Política Internacional…
Carta do Editor
• Há cinqüenta anos a Operação Pan-Americana, por Antônio Carlos Lessa
Artigos
• Conceitos em Relações Internacionais, por Amado Luiz Cervo
• Requisitos ambientais e acesso a mercados: o setor de defensivos agrícolas, por Ricardo K. S. Fermam e Adelaide Antunes
• Crise e castigo: as relações Brasil-África no governo Sarney, por Cláudio Oliveira Ribeiro
• Etanol e biodiesel como recursos energéticos alternativos: perspectivas da América e da Ásia, por Gilmar Masiero e Heloisa Lopes
• Opinião pública e política externa: insulamento, politização e reforma na produção da política exterior do Brasil, por Carlos Aurélio Pimenta de Faria
• Indicadores e Análise Multidimensional do Processo de Integração do Cone Sul, por Andrea Ribeiro Hoffmann, Marcelo Coutinho e Regina Kfuri
• Uma avaliação do efeito institucional sobre o comportamento dos Estados membros da OMC a partir da análise da convergência e divergência nas negociações do Gatt, Gats e Trips , por Taiane Las Casas Campos
• A Política Externa do Brasil no Século XXI: os eixos combinados de cooperação horizontal e vertical, por Cristina Soreanu Pecequilo
• Argentina y Brasil em La Política Internacional: regionalismo y Mercosur (Estratégias, cooperación y factores de tensión), por Raúl Bernal-Meza
• Transição malograda de um poder emergente? A participação brasileira nas negociações tarifárias da Rodada Tóquio, por Rogério de Souza Farias
Resenha
• Le diplomate et l´intrus. L´entrée des sociétés dans l´arène internationale, por Ana Flávia Barros-Platiau
Zotero
Tenho usado e recomendo a todos os passantes com necessidades de uso acadêmico, Zotero, um add-on para Firefox que permite gerenciar, armazenar e citar as referências bibliográficas colhidas na internet. É um produto extraordinário, gratuito, desenvolvido pelo Center for History and New Media da George Mason University.
RBPI, 1/2008
Fizemos um bom número da RBPI, neste inverno de 2008. A edição completa se acessa aqui, e abaixo, publico o sumário:
Artigos
- O papel da integração regional para o Brasil: universalismo, soberania e percepção das elites, por TULLO VIGEVANI, GUSTAVO DE MAURO FAVARON, HAROLDO RAMANZINI JÚNIOR & RODRIGO ALVES CORREIA
- ‘Going Global’: An Organizational Study of Brazilian Foreign Policy, por ANDRÉS RIVAROLA PUNTIGLIANO
- A diplomacia cultural no Mercosul , por MARIA SUSANA ARROSA SOARES
- Aspectos da integração regional em defesa no Cone Sul, por SUZELEY KALIL MATHIAS, ANDRÉ CAVALLER GUZZI & RENATA AVELAR GIANNINI
- A África na ordem internacional do século XXI: mudanças epidérmicas ou ensaios de autonomia decisória?, por JOSÉ FLÁVIO SOMBRA SARAIVA
- Contextualizando a invasão à Baia dos Porcos, por DÉBORAH BARROS LEAL FARIAS
- A ordem e as forças profundas na Escola Inglesa de Relações Internacionais – em busca de uma possível francofonia, por CARLOS HENRIQUE CANESIN
- Uprootedness and the protection of migrants in the International Law of Human Rights, por ANTÔNIO AUGUSTO CANÇADO TRINDADE
- O poder político na energia e relações internacionais: o difícil equilíbrio entre o direito e a busca de segurança do Estado brasileiro, por JOSÉ ALEXANDRE ALTAHYDE HAGE
Artigo de Resenha
A pacífica ascensão da China: perspectivas positivas para o futuro?, por ANTÔNIO JOSÉ ESCOBAR BRUSSI
Resenha
Mare Oceanus Atlanticus: Espaço de Diálogos, por RAQUEL PATRÍCIO
Eu não saberia dizer se mais estúpidos, como sugere o artigo, mas com certeza mais preguiçosos…
E o que temos aprendido?
De Tony Judt, um dos maiores historiadores da atualidade… terá a nossa tragédia um fim?
Como trabalhar melhor
Google Docs
Sou entusiasta desde sempre das soluções do Google. Uma das que tenho usado com mais frequência e constância nos últimos meses é o Google Docs, que permite criar, editar e manter documentos sobre a web, além, claro, de compartilhar com colegas, alunos ou simples passantes.
Eu e meus assistentes gerenciamos o fluxo de entrada de contribuições para a RBPI, além de todo o processo de análise editorial (da chegada à impressão) por meio de uma planilha compartilhada.
Em lugar de publicar arquivos em formato pdf dos programas de minhas disciplinas (além de outros documentos que têm que ser frequentemente atualizados), veiculo uma versão produzida, atualizada e compartilhada pelo Google Docs – é trabalho a menos, porque de outro modo, teria que produzir o pdf, retirar a versão do documento que está no ar no Ambiente Aprender da UnB, fazer o upload do novo documento, fazer o link para a nova versão para, finalmente, descobrir que errei em alguma etapa do processo, por exemplo, esquecendo de colocar uma data fundamental ou de inserir uma referência bibliográfica que acabou de ser publicada na lista de livros recomendados.
Também uso o Google Docs para compartilhar de modo organizado com os meus orientandos os comentários que faço sobre os textos que estão escrevendo (a vantagem é que permite que eu acompanhe o progresso que fazem depois da primeira leitura).
Finalmente, o uso mais interessante é o de desenvolvimento conjunto de textos, uma vez que o compartilhamento permite perfeita sincronia nos tempos de redação de trabalhos e nas modificações que são feitas por cada uma das pessoas que têm acesso e privilégios de edição.
A partir deste mês, o serviço permite acesso offlline aos arquivos criados e compartilhados (no caso, as mudanças feitas quando se trabalho desconectado são sincronizadas quando o computador se conecta à internet).
Do desenvolvimento da estrutura inicial de um livro em preparação com um colega, à redação de pequenos artigos e notas técnicas com os meus assistentes e orientandos, tenho usado com determinação. E recomendo…
Parece que as coisas em mil novecentos e antigamente eram muito mais fáceis… Ainda era possível manter com elegância o ritmo da correspondência com amigos, parentes e colegas, o que se tornou praticamente impossível nos dias de hoje.
