Novo e muito bom número da RBPI

Acabamos de tirar da gráfica o novo número da Revista Brasileira de Política Internacional – RBPI, uma edição de qualidade extraordinária, que traz as seguintes contribuições:
Artigos
- La Argentina y el Plan Marshall: promesas y realidades, por Mario Rapoport & Claudio Spiguel
- União Européia, reformas institucionais e déficit democrático: uma análise a partir do mecanismo de co-decisão, por Marcelo de Almeida Medeiros & Cinthia Regina Campos
- Instituições, Direito e Soberania: a efetividade jurídica nos processos de integração regional nos exemplos da União Européia e do Mercosul, por Patrícia Luiza Kegel & Mohamed Amal
- Normas e redistribuição: um estudo sobre condicionantes internacionais das políticas de combate ao racismo no Brasil, por Rodrigo de Oliveira Godinho
- Política externa planejada: os planos plurianuais e a ação internacional do Brasil, de Cardoso a Lula (1995-2008), por Antônio Carlos Lessa, Leandro Freitas Couto & Rogério de Souza Farias
- A política estadunidense de desgermanização do sistemade transporte aéreo brasileiro: o caso de Condor, por Tânia Quintaneiro
- Ordem e Justiça na Sociedade Internacional pós-11 de Setembro, por Emerson Maione de Souza
- Argentina, Brasil e Venezuela: as diferentes percepções sobre a construção do Mercosul, por Miriam Gomes Saraiva & José Briceño Ruiz
- A política comercial da administração Bush: O CAFTA-DR e a resistência interior, por Thiago Lima
Resenhas
- O universalismo europeu: a retórica do poder, por Paulo Ricardo Muller
- Peace in International Relations, por Fernando Cavalcante
- The Post-American World, por Fábio Albergaria Queiroz
Assinaturas da RBPI podem ser feitas na Loja do IBRI, que se acessa aqui.
Is war in the genes?
Interessante matéria sobre… A inevitabilidade da guerra.
Is war in the genes?
An interesting new paper by Enrico Spolaore of Tufts and Romain Wacziarg or UCLA examines the relationship between the genetic similarity between two countries and the likelihood of them going to war. They found that generally we’re more likely to want to fight with people who are more like us:
We found that populations that are genetically closer are more prone to engage in militarized con?icts and wars with each other, even after controlling for a wide set of measures of geographic distance, income differences, and other factors affecting con?ict, including measures of bilateral and multilateral trade and differences in democracy levels. We also provided a theoretical model of con?ict and relatedness that is consistent with these results. In the simplest version of our model, populations that share a more recent common history have had less time to diverge in preferences and characteristics that determine the set of common issues they care about, and over which they are prone to ?ght.
20 anos do massacre da Praça Tianamen
Uma visão do estado da arte
Rogério Farias faz uma primorosa seleção de alguns dos periódicos mais importantes da grande área de humanidades que publicam trabalhos sobre Relações Internacionais em geral. É a seção “Estado da Arte” de Mundorama, que os brutos costumam não entender para que serve… Pois é uma abreviação do trabalho árduo de peneiragem em dezenas e dezenas de feeds de publicações científicas publicadas em todo o mundo.
Para os que gostam de se manter atualizados com o que está sendo publicado em termos de pesquisa científica por aí, vale a pena acompanhar…
Dossiê CEBRI 10 anos
Tomei conhecimento apenas agora de um documento interessante produzido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais – CEBRI, no contexto das comemorações dos seus dez anos. É o dossiê CEBRI 10 anos – Desafios da Política externa Brasileira, que traz pequenas notas escritas por especialistas, diplomatas e engajados, sobre os grandes temas da agenda internacional do Brasil. Vale a pena ler…
O Google e o futuro dos livros
Uma discussão que apenas se iniciou e que tem o potencial de transformar de modo radical o acesso ao conhecimento. O artigo de Robert Darnton, na New York Review of Books, apresenta a complexidade das consequências do acordo que o Google acabou de firmar com editoras e autores no contexto do programa de digitalização de livros que o gigante da internet empreende já há alguns anos.
História e Globalização
Discussão interessante sobre a necessidade de atualização metodológica da História das Relações Internacionais que se faz na Europa continental (na França em particular), da qual somos tributários no Brasil… Deu no site “La vie des idées” e reproduzo depois do jump. Leia mais…
Raymond Aron e Gaza
O que diria Raymond Aron sobre os raids israelenses e sobre o estado crítico de Gaza?
Os arquivos digitais da Administração Bush
A administração Bush, que sai em 20 de janeiro, deixa um extraordinário volume de informações em formato digital. Apenas a Casa Branca produziu nos 8 anos do governo Bush 50 terabytes de arquivos (inclusive e-mails), que começam a ser recuperados e tratados pelo NARA. Esse volume é cinco vezes maior do que o deixado pela administração Clinton, como se vê na matéria abaixo.
Bolsas de estudos no Canadá
Oportunidade de bolsas de estudos no Canadá – divulgamos em Mundorama no início do mês.
Saiu em Meridiano 47 de novembro, e se acessa aqui ou se lê abaixo… Leia mais…
Esqueci de postar… A perspectiva de vir para a França, trabalhar sobre a França, me levou a escrever uma nota sobre o cinquentenário da V República… da França. Saiu no Meridiano 47 de outubro, e se acessa aqui, ou se lê abaixo. Leia mais…
Pós-doc
Estarei fora de circulação entre 10 de novembro e 10 de fevereiro, para fazer estágio de pós-doutorado na França. Terminarei dois livros, se conseguir juntar toda a documentação que pretendo…
Há cinquenta anos a Operação Pan-Americana
A Operação Pan-Americana – OPA é uma das iniciativas da diplomacia brasileira que podem ser consideradas fundamentais para a compreensão das inflexões da ação internacional do Brasil e do processo de amadurecimento e ampliação dos horizontes da sua visão de mundo.
Na carta que dirigiu ao Presidente Dwight Eisenhower dos Estados Unidos em maio de 1958, o Presidente Juscelino Kubitschek indicava a necessidade de revisão urgente das relações interamericanas, o que fez a partir da percepção de crescimento do sentimento anti-norte-americano nos países da América Latina e de ampla insatisfação com as linhas de cooperação para o desenvolvimento tocadas pelos Estados Unidos. A demonstração de que existia íntima conexão entre desenvolvimento econômico e as condições da segurança hemisférica introjetou na política externa do Brasil uma das idéias-força mais preciosas do pensamento diplomático brasileiro: a de que existe relação necessária entre os níveis de desenvolvimento econômico e as condições de estabilidade sistêmica, seja na América Latina ou em qualquer outra região do mundo. Afinal, o único modo de conter a penetração do comunismo (ou como se afirmava à época, de afastar o risco de contágio das ideologias estranhas à América Latina) seria justamente afastar as suas populações da miséria, promovendo-se o desenvolvimento econômico. Esta tese seria depois apropriada pelo ideário da Política Externa Independente em 1961 e, a partir daí, defendida com vigor pela diplomacia brasileira.
Ainda que os resultados concretos e diretos da OPA sejam considerados limitados, a iniciativa ganha vulto quando são examinadas as suas vinculações com o sentido geral da ação internacional do Brasil naquele momento e dali por diante. Assim, a reivindicação de um novo lugar para o país na política hemisférica e internacional, a busca de reconhecimento do seu amadurecimento político, uma nova construção de autonomia nas suas relações com os Estados Unidos e a valorização do multilateralismo como vetor da ação internacional fazem parte do legado da Operação Pan-Americana.
A Revista Brasileira de Política Internacional é contemporânea da OPA e se fez veículo da crítica social e do debate político sobre a iniciativa. Selecionamos pequeno conjunto de manifestações publicadas na revista nos seus números iniciais que analisam e documentam as origens, a evolução e evidenciam os limites da Operação.
Ainda em 1958 a Revista publicou um alentado dossiê de síntese sobre a OPA, compilando peças fundamentais para a compreensão dos fundamentos da iniciativa. Dizia a apresentação desse dossiê: “para documentação do desenvolvimento da Operação Pan-Americana publicamos a seguir: a) a Exposição feita as classes armadas pelo Presidente Juscelino Kubitschek, em reunião realizada a 17 de agosto, no Palácio Itamarati; b) notícia do debate de que a Operação Pan-Americana foi objeto na Câmara dos Deputados: c) a Nota e o Aide-Mémoire transmitidos pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil aos Governos das Repúblicas Americanas: d) o Comunicado Conjunto da Reunião dos Ministros das Relações Exteriores. expedido em Washington. a 24 de setembro: e) declaração do Ministro Negrão de Lima. divulgada a 19 de outubro. Ainda na presente Resenha publicamos: a) os discursos pronunciados por ocasião da visita do Secretário de Estado dos Estados Unidos da América: b) a conferência pronunciada em Assunção pelo Ministro Negrão de Lima: c) a correspondência trocada entre os Presidentes Juscelino Kubitschek e Alberto Lleras Camargo.
No ano seguinte Barreto Leite Filho apresentou um apanhado do estado das negociações em andamento, que era acompanhado de um novo conjunto de documentos produzidos pela chancelaria brasileira . No número 7, também de 1959, João Carlos Muniz ensaiava sobre o significado da Operação para a ação internacional do Brasil, seguido de nova compilação de documentos .
O volume 3 da RBPI, publicado em 1960, traz em três dos seus quatro números, avaliações preciosas sobre a iniiciativa: Celso A. de Souza e Silva apresentou os antecedentes e os rumos que a iniciativa poderia tomar e publicou-se nova compilação de documentos sobre a Operação . No número 10 da RBPI, publicado em junho daquele ano, José Garrido Torres examinou com circunspecção o sentido geral da iniciativa: “Assim a OPA permanece um propósito, uma expressão de sentimento, um estado de espírito, uma declaração de intenções, um convite aceito, em princípio, por todos os governos americanos para uma ação conjunta que não está planejada em termos de execução metódica, multiforme mas coordenada. Ainda não é uma política; é um diagnóstico. Aguarda um roteiro; não se lhe deu conteúdo programático. Corre o risco, portanto, de confirmar a regra das manifestações líricas em matéria de cooperação econômica no hemisfério. Poderá dissipar-se por falta de consistência”.
O número 11 da revista, publicado em setembro de 1960 traz nova avaliação de síntese da OPA, publicada na forma de uma resenha, e com ela o editor da revista assume o empenho em atualizar o leitor sobre o desenvolvimento da iniciativa, como se vê em nova resenha publicada no número seguinte.
A série de análises e de avaliações feitas por contemporâneos da iniciativa se encerra em 1961 com o artigo de T. Graydon Upton, ao tempo em que o debate social arrefece e os resultados diretos da OPA já se anunciam limitados: “a interpretação apresentada aqui não sugere, em nenhum momento, a substituição de dólares para o desenvolvimento por estandartes. A ‘Operação Pan-Americana’ somente poderá ser concretizada se o Governo norte-americano, plenamente apoiado pelo Congresso, envidar o máximo dos seus esforços nos setores econômicos e financeiros, tanto para aumentar como para tornar mais efetiva a assistência de desenvolvimento econômico e social. Mas nem só de pão vive o homem. Quando o esforço máximo econômico e social estiver sendo envidado, não deve atingir apenas as necessidades do homem, porém mentes ágeis e espíritos alevantados. Se se quiser travar uma guerra bem sucedida contra o subdesenvolvimento na América Latina, deve-se ter a escudá-la, para pessoas sensíveis, emocionais e de objetivos elevados, a dedicação de uma grande causa, pois somente dentro do espírito de tal dedicação pode o esforço e o sacrifício individuais serem suscitados, essenciais que são ao bom êxito contra tais desigualdades”.
Os ideais da OPA deitaram raízes profundas na política externa brasileira e compõem parte das suas tradições, como as conhecemos hoje. Passados cinqüenta anos do seu lançamento é tempo de examinar com novo interesse os seus resultados e a sua importância, como foi feito pela Revista Brasileira de Política Internacional nos seus primeiros dias.
2/2008 da RBPI
Fizemos mais um bom número da RBPI, o 2/2008, na minha modesta opinião…
Como se passaram 50 anos desde o lançamento da OPA, fiz para este número uma Carta do Editor, recuperando alguns dos melhores artigos publicados na RBPI desde o seu início sobre a Operação. Como o acervo da RBPI está integralmente digitalizado e publicado em Mundorama, os interessados podem dar uma olhada rápida nesses artigos que acompanharam a iniciativa do governo JK praticamente desde o seu lançamento. Esse foi um trabalho interessante e gostoso de fazer e vou publicar o texto em outro post. Pelo momento, fiquemos com esta boa edição, a número 2 do volume 51 da Revista Brasileira de Política Internacional…
Carta do Editor
• Há cinqüenta anos a Operação Pan-Americana, por Antônio Carlos Lessa
Artigos
• Conceitos em Relações Internacionais, por Amado Luiz Cervo
• Requisitos ambientais e acesso a mercados: o setor de defensivos agrícolas, por Ricardo K. S. Fermam e Adelaide Antunes
• Crise e castigo: as relações Brasil-África no governo Sarney, por Cláudio Oliveira Ribeiro
• Etanol e biodiesel como recursos energéticos alternativos: perspectivas da América e da Ásia, por Gilmar Masiero e Heloisa Lopes
• Opinião pública e política externa: insulamento, politização e reforma na produção da política exterior do Brasil, por Carlos Aurélio Pimenta de Faria
• Indicadores e Análise Multidimensional do Processo de Integração do Cone Sul, por Andrea Ribeiro Hoffmann, Marcelo Coutinho e Regina Kfuri
• Uma avaliação do efeito institucional sobre o comportamento dos Estados membros da OMC a partir da análise da convergência e divergência nas negociações do Gatt, Gats e Trips , por Taiane Las Casas Campos
• A Política Externa do Brasil no Século XXI: os eixos combinados de cooperação horizontal e vertical, por Cristina Soreanu Pecequilo
• Argentina y Brasil em La Política Internacional: regionalismo y Mercosur (Estratégias, cooperación y factores de tensión), por Raúl Bernal-Meza
• Transição malograda de um poder emergente? A participação brasileira nas negociações tarifárias da Rodada Tóquio, por Rogério de Souza Farias
Resenha
• Le diplomate et l´intrus. L´entrée des sociétés dans l´arène internationale, por Ana Flávia Barros-Platiau