Prezados Formandos,
Eu quero, em primeiro lugar, agradecer por terem me escolhido como seu Paraninfo. É com emoção que eu recebo esta homenagem. Eu não supunha que a minha modesta contribuição no ensino de graduação em Relações Internacionais da nossa universidade, e portanto, na sua formação, fosse suficiente para motivar tal distinção.
Eu ensino “Relações Internacionais do Brasil”, ou História da Política Externa Brasileira. Esse é um recorte bem específico da nossa realidade, que muitas pessoas imaginam conformar uma zona habitada por fantasmas de príncipes, embaixadores, e de generais em guerra. Um campo do nosso conhecimento no qual, se poderia supor, seria possível escutar em sussurros os segredos de Estado e no qual ecoariam os gritos dos soldados. Seria possível imaginar que se trata de uma disciplina na qual nos ocupamos das tragédias e das glórias pretéritas da nação.
Sempre julguei, entretanto, que essa disciplina, esse recorte do nosso saber, trata muito mais do presente e do futuro do que do passado. Este é o momento que julgo estar reservado na formação em Relações Internacionais para o aprendizado sobre os nossos erros, sobre os nossos percalços e hesitações, mas também sobre os nossos acertos e sobre o nosso potencial como nação. Se trata de uma experiência de conhecimento que aí está, antes de mais nada, para ilustrar jovens inquietos, para alertá-los sobre as suas responsabilidades como cidadãos. Essas responsabilidades serão sempre as lutas por relações mais justas entre as nações, pelo desenvolvimento econômico e social do seu país, contra a obscuridade e, especialmente, contra a miséria das idéias. Continue lendo