Google Docs

Sou entusiasta desde sempre das soluções do Google. Uma das que tenho usado com mais frequência e constância nos últimos meses é o Google Docs, que permite criar, editar e manter documentos sobre a web, além, claro, de compartilhar com colegas, alunos ou simples passantes.

Eu e meus assistentes gerenciamos o fluxo de entrada de contribuições para a RBPI, além de todo o processo de análise editorial (da chegada à impressão) por meio de uma planilha compartilhada.

Em lugar de publicar arquivos em formato pdf dos programas de minhas disciplinas (além de outros documentos que têm que ser frequentemente atualizados), veiculo uma versão produzida, atualizada e compartilhada pelo Google Docs – é trabalho a menos, porque de outro modo, teria que produzir o pdf, retirar a versão do documento que está no ar no Ambiente Aprender da UnB, fazer o upload do novo documento, fazer o link para a nova versão para, finalmente, descobrir que errei em alguma etapa do processo, por exemplo, esquecendo de colocar uma data fundamental ou de inserir uma referência bibliográfica que acabou de ser publicada na lista de livros recomendados.

Também uso o Google Docs para compartilhar de modo organizado com os meus orientandos os comentários que faço sobre os textos que estão escrevendo (a vantagem é que permite que eu acompanhe o progresso que fazem depois da primeira leitura).

Finalmente, o uso mais interessante é o de desenvolvimento conjunto de textos, uma vez que o compartilhamento permite perfeita sincronia nos tempos de redação de trabalhos e nas modificações que são feitas por cada uma das pessoas que têm acesso e privilégios de edição.

A partir deste mês, o serviço permite acesso offlline aos arquivos criados e compartilhados (no caso, as mudanças feitas quando se trabalho desconectado são sincronizadas quando o computador se conecta à internet).

Do desenvolvimento da estrutura inicial de um livro em preparação com um colega, à redação de pequenos artigos e notas técnicas com os meus assistentes e orientandos, tenho usado com determinação. E recomendo…

Como as coisas mudaram tanto em tão pouco tempo

É claro que fico entristecido quando tenho que convidar um aluno a se retirar da minha sala de aula. Sempre acreditei que na Universidade isso não seria mais necessário, mesmo porque lidamos com adultos que ali estão por livre e espontânea vontade. Mas o fato é que os problemas de disciplina têm se repetido com tanta frequência e intensidade que concluí que estamos diante de uma mudança generalizada de padrões de comportamento, o que se indica pelo que eu considero como as mais simples e grosseiras manifestações de falta de educação (especialmente daquela noção de comportamento em ambientes públicos que se aprende em casa).

Creio que para esse mal não há cura, mas sempre é possível lembrar ao alunado em sala de aula algumas regras de bom senso, que não teriam que ser ensinadas. Por isso, incluí nos programas das minhas disciplinas da graduação, com algum pesar, um pequeno rol de “regras de etiqueta em sala de aula”. Seguem abaixo:

  1. As aulas terão início por volta de 14 horas. Chegue no horário, pronto para ficar – vá ao banheiro, telefone e resolva todos os seus problemas antes de tomar assento;
  2. Não marque compromissos no mesmo horário da aula, para evitar saídas intepestivas ou chegadas em atraso;
  3. Alimente-se e hidrate-se antes da aula. Lembre-se que uma sala de aula não é ambiente adequado para a sua refeição;
  4. Os aparelhos celulares devem permanecer desligados;
  5. O debate aberto é incentivado, em momento oportuno. De resto, as conversas paralelas atrapalham a dinâmica da aula e a concentração do grupo.

Sinceramente, imagino que essas regras não desaparecerão dos meus programas nem tão cedo. É provável que eu me acostume antes com o comportamento selvagem de uns e de outros, e que simplesmente pare de me importar. Torço, é claro, para voltar a encontrar jovens brilhantes, interessados e, por que não, educados, em todos os santos dias em que eu cruzar a porta de uma sala de aula.

Encontre teses e dissertações sobre Relações Internacionais no Portal do Domínio Público

É comum encontrarmos referências interessantes na Plataforma Lattes (que tem como único defeito não permitir a inclusão de referências para download), mas que raramente foram publicadas na internet. Isso acontece especialmente com teses de doutorado e dissertações de mestrado, uma vez que poucas das grandes universidades que mantêm programas de pós-graduação em Relações Internacionais disponibilizam os arquivos para download.

Na Universidade de Brasília a publicação de teses e dissertações em formato digital passou a ser obrigatória há alguns poucos anos, e temos monitorado o material publicado na seção Biblioteca de Mundorama, mas mesmo assim, vez por outra há um “gênio” qualquer que considera a sua dissertação de mestrado tão maravilhosa que nem cogita em entregar os arquivos à Coordenação… uma pena (ou, o contrário – a sua dissertação é tão medíocre, que sabendo disso, foge dessa responsabilidade para não expor o seu ridículo em toda a sua grandiosidade).

O Ministério da Educação deu um passo importante na divulgação de material dessa natureza, com o lançamento em 2004, do Portal do Domínio Público. Nele estão publicadas teses e dissertações de todas as áreas, mas ainda de umas poucas universidades (a UnB, por exemplo, está lamentavelmente fora).  É verdade que o formulário de pesquisa do Portal Domínio Público é bastante limitado – permite busca por autores e por áreas, mas não permite salvar as pesquisas realizadas, por exemplo. Vê-se, entretanto, que o Portal possui muitos recursos interessantes, inclusive na área de Relações Internacionais e História das Internacionais – veja aqui um pequeno exemplo de busca rápida que fiz na base Teses e Dissertações usando a expressão “Relações Internacionais” no título.

Se você é estudante de mestrado e doutorado, de especialização ou mesmo de graduação desenvolvendo projeto de iniciação científica ou monografia de conclusão de curso, cuide de incluir o Portal entre os seus favoritos.

O wiki como ferramenta pedagógica

Pessoalmente sou um admirador entusiasmado da Wikipedia, e em especial do uso dos wikis como ferramenta pedagógica. São muitas as possibilidades de agregação desse tipo de construção no desenvolvimento de um curso de graduação, por exemplo. Lancei um desafio para a minha turma de História das Relações Internacionais do Brasil, disciplina obrigatória oferecida para a graduação em Relações Internacionais da Universidade de Brasília: cada aluno desenvolveria o argumento de base de um verbete relacionado com os temas da disciplina, que seria lançado na Wikipedia. Vinculei generosamente 20% da nota final a essa atividade, na expectativa de que os verbetes seriam redigidos com extremo rigor, uma vez que tanto eu quanto a minha equipe de monitores iríamos nos empenhar em verificar tanto a acurácia das informações apresentadas, quanto a originalidade do argumento e a aplicação das regras de formatação (extensão e forma) da própria Wikipedia.
A avaliação que fizemos ao final da experiência foi excelente… A maior parte dos verbetes apresentados é extremamente consistente, e com certeza vai prover insumos para o início de um conjunto bastante rico de artigos na própria enciclopédia nos temas a que nos propomos, como também para a área de política externa brasileira em geral.
Esta é uma das experiências que pretendo incorporar definitivamente aos meus esquemas de verificação de aprendizagem – e enquanto isso, vamos aumentando a extraordinária riqueza da ferramenta genial que é a Wikipedia.

O fantástico mundo dos wikis

Um dos fenômenos mais extraordinários da nova geração de serviços oferecidos na internet é sem sombra de dúvida a Wikipedia, uma enciclopédia on line gratuita que tem como principal diferencial o fato de ser escrita por uma engajada comunidade de usuários.
Um wiki é um tipo de website que permite aos seus usuários (que por vezes nem necessitam se registrar) editar, adicionar ou remover conteúdo , em um esquema de redação colaborativa extremamente dinâmica. Os textos produzidos em wikis não têm um autor determinado, já que são o resultado da agregação de informação em grupos, e são consideradas construções coletivas publicadas sob licença aberta.
O projeto Wikipedia oferece atualmente acesso a milhões de artigos em inglês, francês, espanhol, português, holandês, polonês, alemão, japonês e em mais uma dezena de idiomas insuspeitáveis. O número de artigos em português não é dos maiores (abaixo, por exemplo, dos mais de 252 mil verbetes publicados em polonês), mas ultrapassa a soma respeitável de 160 mil, sobre os mais diversos temas, de matemática e física, a história e relações internacionais.
No livro The Wisdom of Crowds: Why the Many Are Smarter Than the Few and How Collective Wisdom Shapes Business, Economies, Societies and Nations, publicado em 2004, James Surowiecki analisa pioneiramente o fenômeno da construção coletiva de saberes. Surowieck argumenta que as decisões coletivas são quase sempre melhores do que as que poderiam ser feitas por apenas um membro do grupo – mas é fato que nem toda construção em grupo é naturalmente melhor do que uma construção individual. A essência dos grupos inteligentes estaria na existência de quatro atributos fundamentais: Diversidade de opinião, independência, descentralização e alguma forma de agregação (ou seja, a existência de algum mecanismo que homogeneize as decisões individuais, transformando-as em coletivas).
O livro de Surowiecki demonstra a existência de um mundo fascinante, que se manifesta em todas as dimensões da vida social contemporânea, mas que ganhou formas inéditas na web especialmente com a Wikipedia, e com tantas outras ferramentas de construção coletiva de saberes.