Many_worlds
Ser editor

Muitos mundos, muitas teorias? Sobre a mais recente edição especial da RBPI

Concluímos a produção editorial da primeira fornada de artigos da edição especial da RBPI Many Worlds, Many Theories? . Essa edição corresponde ao número 2/2016 (Volume 59 – Número 2) da nossa revista, e foi organizada por minha colega da UnB Cristina Inoue e por Arlene Beth Tickner, professora da Universidad del Rosário, Colômbia.

A produção desta edição foi uma grande aventura. Foi a primeira edição especial que nós produzimos com seleção de artigos feita a partir de reviews inteiramente internacionais. A nota abaixo relata um pouco da trajetória de construção deste número mais do que especial.

  • Veja aqui o press release sobre a edição, publicado no site do IBRI;
  • Veja aqui o editorial, assinado por Inoue e Tickner;
  • Veja aqui a edição completa – digo, quase completa, porque ainda serão publicados mais três artigos nela até dezembro (a RBPI adotou o modelo de publicação continuada, lembra?).

Muitos mundos, muitas teorias? Explorando a diversidade de vozes e de visões sobre a área de Relações Internacionais

A ideia de organizar uma Edição Especial da Revista Brasileira de Política Internacional – RBPI, “Muitos mundos, muitas teorias?”,  surgiu em abril de 2014,  por ocasião da celebração dos 40 anos do primeiro programa de graduação em Relações Internacionais do Brasil, criado na Universidade de Brasília (UnB).  A conferência de abertura, proferida pelo Professor da Universidade de Oxford, Andrew Hurrell, apontou para o processo de pluralização do campo das Relações Internacionais (RI). Foi como uma semente caindo em solo fértil, porque essa questão já vinha sendo discutida entre professores e alunos do Instituto de Relações Internacionais, alimentada por desenvolvimentos recentes nas RI, que trazem a tona a diversidade de vozes e visões do campo.

Uma das consequências dessa abertura para a diversidade e o para pensamento crítico é que, ao invés de pensarem em mundo e poucas teorias, alguns estudiosos das Relações Internacionais têm questionado se o campo reflete as preocupações existentes fora dos Estados Unidos e do “Ocidente” em geral. A crise global de refugiados, a mudança do clima, os desafios para a segurança global e regional interpostos por grupos como o Boko Haram e o ISIS, a perda de terras coletivas e sítios culturais por povos indígenas, a apropriação de terras, a triste realidade das crianças soldados, a perda de biodiversidade, os abusos de direitos humanos, a colonização bio-cultural, as crises econômicas e políticas ao redor do mundo, a transição para o Antropoceno – tudo isso e muito nos sugerem que faltam às Relações Internacionais conceitos e teorias para encarar esses desafios de forma criativa. Muitas vozes têm feito o chamado para uma reconfiguração do campo das RI em termos epistemológicos, ontológicos, teóricos e metodológicos.

O Seminário “Many Worlds, Many Theories?”, realizado em novembro de 2014, no Instituto de Relações Internacionais da UnB, com a presença de Arlene Tickner e Nicholas Onuf, forneceu as bases para o lançamento da chamada dos artigos para essa Edição Especial. Nesta chamada de artigos, foram propostas diversas questões: O que teorias significam na América do Sul e outras regiões? Existem teorias das relações internacionais Latino Americanas? A metateoria está morta? Há diferentes formas de se pensar política externa teoricamente? É possível pensar além do estado-centrismo? Além disso, temas inovadores foram propostos: teoria e os BRICS; o Sul global e teorias pós-coloniais; governança, governamentalidade e teoria; ética e relativismo; teorias feministas no Sul; universalismo e pluriverso. O objetivo geral  era o de contribuir para a construção de um campo de RI mais global e plural e trazer a tona visões sobre/de RI a partir da América do Sul e para além da região.

Essas questões não foram todas respondidas. Entendemos que se trata de um processo em andamento e “Many Worlds, Many Theories” é uma obra em construção. Trata-se de um passo importante, mas modesto na direção de criar leituras alternativas do/sobre o internacional. Os artigos dessa Edição Especial, em linhas gerais, contribuem para esse debate adicionando auto reflexão crítica sobre o campo das RI, apresentando reflexões que examinam a sua evolução em locais geo-culturais distintos e buscando fugir dos temas e rótulos convencionais do campo.

A equipe da Revista Brasileira de Política Internacional faz um convite aberto para o questionamento contínuo dos nossos pressupostos sobre o conhecimento e o mundo. Talvez o campo das Relações Internacionais possa ser vislumbrado como um espaço aberto para tentar entender as realidades globais cada vez mais complexas, para cultivar uma atitude crítica permanente e para criar espaço para muitos mundos e muitas teorias.

Esta não foi a primeira edição especial da RBPI que recebeu já na submissão exclusivamente contribuições  em língua inglesa. Na verdade esse foi o padrão adotado nas edições especiais produzidas em anos anteriores, também produzidas com editores convidados. Entretanto,Many Worlds, Many Theories? mas foi a primeira edição construída integral e exclusivamente com o suporte de peer review internacional. Isso significa que a totalidade dos artigos que foram incluídos no processo de análise editorial foi escrutinada e arbitrada exclusivamente por pesquisadores e professores de instituições não brasileiras, com o que se sublinha o grande esforço de internacionalização que está sendo empreendido ao longo dos últimos anos. Temos uma dívida impagável com os colegas que generosamente nos apoiaram nesse processo.

Esta edição especial teve como editoras convidadas as Professoras Cristina Inoue (Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília) e Arlene Beth Tickner (Universidad del Rosário, Colômbia). A Revista se orgulha desta parceria, cujos frutos extraordinários apresentamos nesta edição.

Para ler os primeiros artigos desta edição, acesse:

  • Inoue, Cristina, & Tickner, Arlene Beth. (2016). Editorial – Many Worlds, Many Theories?. Revista Brasileira de Política Internacional, 59(2), e001. Epub September 22, 2016.https://dx.doi.org/10.1590/0034-7329201600201;
  • Onuf, Nicholas. (2016). Many Worlds, Many Theories, Many Rules: Formulating an Ethical System for the World to Come.Revista Brasileira de Política Internacional, 59(2), e002. Epub September 05, 2016.https://dx.doi.org/10.1590/0034-7329201600202;
  • Picq, Manuela. (2016). Rethinking IR from the Amazon. Revista Brasileira de Política Internacional, 59(2), e003. Epub September 05, 2016.https://dx.doi.org/10.1590/0034-7329201600203;
  • Liu, Tony Tai-Ting. (2016). Teaching IR to the Global South: Some Reflections and Insights. Revista Brasileira de Política Internacional, 59(2), e004. Epub September 05, 2016.https://dx.doi.org/10.1590/0034-7329201600204;
  • Barasuol, Fernanda, & Silva, André Reis da. (2016). International Relations Theory in Brazil: trends and challenges in teaching and research. Revista Brasileira de Política Internacional, 59(2), e005. Epub September 05, 2016.https://dx.doi.org/10.1590/0034-7329201600205;
  • Lage, Victor Coutinho, & Chamon, Paulo Henrique. (2016). Resisting the denial of coevalness in International Relations: provincializing, perspectivism, border thinking. Revista Brasileira de Política Internacional, 59(2), e006. Epub September 05, 2016.https://dx.doi.org/10.1590/0034-7329201600206.
Padrão

Deixe uma resposta