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Meridiano 47 em publicação continuada – os bastidores de uma grande mudança

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Desde outubro do ano passado eu venho estudando o modelo de publicação continuada.

É um modelo interessantíssimo, inteiramente nativo da era da internet e das revistas em acesso aberto. Na publicação continuada, os artigos são publicados à medida em que ficam prontos, com a conclusão dos seus processos de análise e de produção editorial  (peer review, revisão, preparação de originais, diagramação etc). Há ainda outras características muito próprias:

  1. A noção de fascículo (ou edição), aquele conjunto de artigos arrolados em uma edição fechada e publicada como um bloco, perde sentido;
  2. A referência de organização fundamental deixa de ser o fascículo, e passa a ser o volume, ou o ano;
  3. Como os artigos são publicados avulsos, somente no volume (e não em um fascículo) não há paginação sequencial, que ligue um artigo ao outro;
  4. Todo o processo editorial fica muito mais ágil, focado em cada artigo individualmente, que é liberado para ganhar o mundo sem precisar esperar pelo conjunto que comporia uma edição ou fascículo;
  5. É um modelo que se presta com excelência  para publicações que não são impressas, em acesso aberto ou não.

Grandes e tradicionais publishers adotaram o modelo em suas publicações. O mais notável é, sem dúvida, a Royal Society, que publica a primeira revista científica do mundo, a Philosophical Transactions, simplesmente com 350 anos de estrada. Plos ONE e eLife, publishers jovens e da era do acesso aberto, também veiculam todas as suas revistas em publicação continuada.

O modelo tem muitas vantagens sobre a publicação tradicional, e por isso, eu resolvi experimentá-lo primeiro em Meridiano 47. Fiz os primeiros testes de configuração do sistema (a deplorável instalação do OJS mantida pela UnB) ainda em outubro-novembro de 2015.

Por dezembro do ano passado, já estava decidida a mudança do brand, e com ela, Meridiano deixava de ser um Boletim e passava a ser o mais completo e complexo Journal of Global Studies, o que equivalia também a uma mudança importante na missão e objetivos do periódico.

Por esse momento, as regras de colaboração foram completamente reajustadas. Assim, as diretrizes para os autores de Meridiano passaram a ser praticamente as mesmas da RBPI, com a diferença de que continuou aceitando em seu processo de análise editorial os short papers, que foram a marca do veículo por 150 números.

Em 2016, cuidei da associação do IBRI à CrossRef, por intermédio da ABEC, para a configuração de números DOI, e dei início, com o nosso diagramador, aos longuíssimos estudos para a mudança da identidade visual e gráfica de Meridiano. A ideia, concretamente, era definir um template que contivesse todas as informações necessárias para vincular o artigo ao periódico, uma vez que os fascículos completos não serão mais diagramados. Um outro aspecto importante foi a necessidade de estabelecer uma identidade comum tanto para Meridiano quanto para a RBPI, deixando clara a pertinência ao mesmo porfolio editorial.

Os estudos sobre o tempo de produção editorial apontam para ganhos de agilidade impressionantes. A média da primeira fornada de artigos preparados para o novo Meridiano é de 46 dias contra os mais de 80 dias do processo tradicioal – entre submissão, peer review em duas mãos, decisão, revisão e diagramação.

Um aspecto que me pareceu importante foi a possibilidade de introduzir a portabilidade de pareceres recebidos pelos artigos submetidos à RBPI, que poderiam ser reaproveitas em Meridiano, quanto na direção inversa. Creio que se trata da primeira experiência dessa natureza feita no Brasil – um prática, entretanto, que se amplia entre grandes publishers.

Completando os ajustes, a estratégia de divulgação foi completamente redesenhada. Ela se baseia em peças escritas pelos autores, como pequenos artigos, e publicadas no site do IBRI e em Mundorama, como também na veiculação exaustiva nas mídias sociais. O perfil de Meridiano 47 no Twitter foi reativado e está em desenvolvimento uma página no Facebook.

A matriarca do nosso portfolio, a RBPI, que deixou de ser impressa ao final do ano de 2015, agora se prepara também para a adoção do modelo de publicação continuada e a minha expectativa é que os primeiros artigos de 2016 sejam veiculados no novo formato.

O editorial que eu preparei para o volume 17 de Meridiano sintetiza esse processo.  Na sequência, eu listo os primeiros artigos:

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