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Meridiano 47 chega ao número 150 com edição especial sobre os 20 anos da OMC

Lançamos na semana passada a edição especial do Boletim Meridiano 47 dedicada aos 20 anos da Organização Mundial do Comércio. Essa edição teve como editores convidados os amigos Paulo Roberto de Almeida e Rogério de Souza Farias.

Eu preparei um editorial, não propriamente sobre a OMC (o que é tema de uma nota liminar dos dois editores convidados),  mas sobre a sesquicentésima edição do Boletim Meridiano 47, que transcrevo abaixo…

A OMC e os desafios do sistema multilateral de comércio – um número especial a propósito da 150a edição do Boletim Meridiano 47

Chegamos à edição de número 150 do nosso Boletim Meridiano 47, o rebento do portfolio editorial do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais – IBRI, e irmão mais novo da Revista Brasileira de Política Internacional – RBPI.

O Boletim foi pensado como um veículo aǵil para a divulgação de trabalhos breves sobre a atualidade internacional. Naquele momento,  há quinze anos, a internet não era lá o prodígio de velocidade que vemos hoje em dia, e não existiam os repositórios institucionais ou bases de dados abertas para a veiculação de revistas científicas, teses, dissertações e livros que são corriqueiros nos dias de hoje.

relatamos que Meridiano 47 era um experimento inserido no projeto RelNet, uma iniciativa do então Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. RelNet era o acrônimo simpático de Rede Brasileira de Relações Internacionais, um projeto de divulgação científica da UnB que funcionou até 2007. Além de divulgar os repositórios de algumas revistas então existentes, notadamente, da RBPI e de outros veículos que já deixaram de existir,  além do nosso Meridiano, o projeto criava ainda a Revista Cena Internacional e o Boletim Via Mundi – que lamentavelmente, já não são publicados há alguns anos. Mas nesse momento ainda não existiam os sistemas de editoração eletrônica, como o Open Journal System, e não se falava em acesso aberto e, pior do que tudo, todos tinham certo preconceito com a ideia de uma publicação digital – o que sempre exigia bom esforço por parte do editor para convencer um colega a “enterrar” um original de sua autoria em uma experiência de futuro incerto.

Eu lembro de um episódio pitoresco, testemunhado pelo editor adjunto de Meridiano 47, Virgílio Arraes. Esse episódio, quase uma anedota, dá o tom das mudanças extraordinárias que ocorreram no cenário das publicações científicas no Brasil. Sempre em busca de financiamento para esses projetos, lá por 1999 ou 2000 eu mesmo bati à porta do CNPq e, argumentando com a coordenadora geral do Departamento que ainda hoje é responsável pelo edital de apoio às edições, fui brutalmente exposto à dureza do servidor público: “Professor, publicação digital, virtual, on-line – isso não existe! – revista é somente impressa!!!”…Bem, que bom que ela estava enganada! Felizmente, atualmente o CNPq apoia integralmente as publicações on line, o acesso aberto, e as iniciativas que superam o paradigma tradicional da publicação científica.

O nosso Meridiano 47 jamais circulou como um veículo impresso, nasceu digital e sobreviveu como tal. Foi o pioneiro de uma linhagem de publicações da grande área de humanidades que se mostram importantes veículos para a repercussão do conhecimento e o sobrevivente da primeira geração de publicações científicas em formato digital, posta em circulação antes mesmo da vulgarização do acesso aberto… E chegou à sua edição de número 150!

Ao longo dos últimos meses vimos preparando esse momento – o do lançamento da edição que agora eu apresento – com pompa e circunstância. A adoção de novas regras de colaboração e de um código de ética são os últimos ajustes que realizamos no perfil do nosso Boletim, que também vem tendo a sua política editorial reposicionada e realinhada. Isso foi feito com a confirmação da sua vocação de veículo dedicado à repercussão de trabalhos essencialmente científicos, entretanto, de extensão mais breve – ou se alguém preferir, de argumentação condensada e mais ágil, como existem várias outras publicações internacionais de excelente nível, do mesmo calibre e com a mesma ambição. Temos feito investimentos pesados na indexação internacional de alto nível, com a candidatura do veículo aos mais importantes serviços existentes – o que demanda mais tempo, expertise e paciência do que propriamente recursos materiais.

O repertório de eventos internacionais e de efemérides de 2015 nos deu muitas ideias interessantes para celebrar a passagem da nossa edição de maturidade. O vigésimo ano da Organização Mundial do Comércio – OMC nos caiu bem como tema geral para uma edição temática. Porém, mais do que uma edição especial, a nossa celebração põe em perspectiva os esforços do IBRI na divulgação dos temas da agenda internacional contemporânea e, em especial, daqueles de especial relevância para o Brasil – como certamente são os impasses da OMC e o futuro incerto do sistema multilateral de comércio.

Os convidados para a organização desse número são também editores adjuntos da RBPI – Paulo Roberto de Almeida, diplomata de carreira e professor do Programa de Pós-Graduação em Direito do Centro Universitário de Brasília – Uniceub, e Rogério de Souza Farias (visiting fellow da University of Chicago e do Lemann Institute for Brazilian Studies da University of Illinois at Urbana-Champaign, Estados Unidos). Ambos são estudiosos entusiasmados do tema que articula essa edição, aleḿ de animadores dos esforços de divulgação científica do IBRI.

A nota liminar preparada pelos nossos convidados dá uma pequena amostra da diversidade da agenda coberta nesse número especial, e especialmente, de como o conteúdo aqui publicado pode se alinhar com o estado da arte da reflexão sobre os desafios do sistema multilateral de comércio e da própria OMC. Em outras palavras, não poderíamos ter uma celebração mais justa e bonita para o nosso Meridiano 47… e que venham, rápido, as próximas 150 edições!

Referências:

LESSA, Antônio Carlos; CAIXETA ARRAES, Virgílio. Editorial: Meridiano 47: dez anos. Boletim Meridiano 47, [S.l.], v. 11, n. 120, p. 3, set. 2010. ISSN 1518-1219. Disponível em: <http://periodicos.unb.br/index.php/MED/article/view/863/748>. Acesso em: 5 Out. 2015.

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