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Um balanço do Mundorama em 2014

Preparei, pela primeira vez, um editorial para o Mundorama… Logo abaixo:

Editorial – Boletim Mundorama em 2014: um ano mais do que profícuo, por Antônio Carlos Lessa

O Boletim Mundorama, foi criado em agosto de 2007 como uma atividade de divulgação científica do projeto integrado de pesquisa “Parcerias Estratégicas do Brasil: as experiências em curso e a construção do conceito”, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Brasília e de diversas outras instituições brasileiras e estrangeiras entre 2007 e 2012, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq. Ele é o herdeiro direto do projeto RelNet – Rede Brasileiro de Relações Internacionais, que foi estabelecido em 1997, quando a internet mal era utilizada nas universidades brasileiras, as conexões eram discadas e o Google ainda nem existia.

A partir de 2012, o Boletim Mundorama (o seu nome de batismo era Mundorama – Iniciativa de Divulgação Científica em Relações Internacionais) passou a ser uma atividade permanente do Centro de Estudos sobre as Relações Internacionais do Brasil Contemporâneo, um dos laboratórios do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade de Brasília.

Ao longo da sua trajetória o Boletim se constituiu como uma alternativa importante e prestigiada para a veiculação de artigos breves de análise de conjuntura, resenhas de livros e notícias de eventos, que se somam à indexação de revistas científicas da área e a publicação de séries documentais. Nesse último campo de ação, especificamente, temos atuado para preservar o acesso a publicações importantes da área, fazendo um trabalho de indexação constante das edições publicadas (são os casos da  Revista Brasileira de Política Internacional,Revista Contexto Internacional e do Boletim Meridiano 47), ou para revistas e séries documentais extintas ou paralisadas atualmente (como a Revista Cena Internacional, o Boletim Via Mundi, a Resenha da Política Exterior do Brasil e séries de livros, teses de doutorado e dissertações de mestrado).

Temos privilegiado a publicação de artigos de opinião de pesquisadores da área, que se dirigem a uma audiência cativa e influente, em ascensão ano após ano.

Em 2014 o site do projeto atingiu a marca de 376.102 visualizações, o ponto alto de uma evolução consistente, como se observa no gráfico abaixo:

Em seus pouco mais de sete anos de existência, foram publicados em Mundorama, 3.965 artigos, de natureza diversa, incluindo documentos e fichas de indexação.  Somente em 2014, foram publicados 306 artigos. Alguns textos são extraordinariamente populares e demandados – a tabela abaixo lista os 10 documentos mais acessados em 2014, alguns dos quais nem mesmo foram publicados neste ano:

Título Visualizações
1 Brasil, Manifestações Populares e Grandes Eventos: Questões de (In)Segurança e Imagem Internacional, por Bernardo Wahl G. de Araújo Jorge 16.784
2 O Atual Conflito no Sudão do Sul: Conflito Étnico ou Sintoma dos Problemas estruturais do SPLM/A?, por Paulo Gilberto Fagundes Visentini e Livi Gerbase 4.809
3 O “Fim da História”, de Fukuyama, vinte anos depois: o que ficou?, por Paulo Roberto de Almeida 4.382
4 O Papel das Redes Sociais na Primavera Árabe de 2011: implicações para a ordem internacional, por Viviane Brunelly Araújo Tavares. 4.181
5 Resenha de “Por Que as Nações Fracassam: as Origens do Poder, da Prosperidade e da Pobreza”, de Daron Acemoglu e James Robinson, por Gustavo Resende Mendonça 3.564
6 Resenha de “Tempos Líquidos”, de autoria de Zygmunt Bauman, por Márcio Pereira Basílio 3.550
7 A espionagem norte-americana no Brasil e a hegemonia dos Estados Unidos, por Joana Soares 3.446
8 China e Índia: Perspectivas Acerca da Grande Corrida Econômica Asiática, por Gustavo Resende Mendonça 2.718
9 Análise das relações entre Cuba e EUA (1961-2011), por Pedro Ernesto Fagundes 2.439
10 Integração Regional da África – a saída para o desenvolvimento do continente, por João Bosco Monte 2.435

A origem das visualizações é diversa, e bastante fragmentada. Obviamente, a grande parte dos leitores do Boletim vem do Brasil, mas Mundorama chegou a ter leitores em 132 países. O site do Boletim tem 4.308 seguidores, dos quais 1.788 recebem os artigos por e-mail ou acessando o canal agregador (feed) e sua página noGoogle+, 890 seguem o seu perfil no Twitter e 1.630 seguem a sua fan page no Facebook. Abaixo, são listados os países de origem do fluxo de seguidores:

País Visualizações Percentual
Brasil 297.234 79,03
Estados Unidos 14.534 3,86
Portugal 9.431 2,51
Angola 3.945 1,05
Moçambique 3.292 0,88
Argentina 2.480 0,66
Reino Unido 1.340 0,36
França 1.115 0,30
Japão 987 0,26
Cabo Verde 958 0,25
Outros 40.786 11

Em 2014 a política editorial do Boletim Mundorama foi ajustada, estabelecendo filtros de qualidade mais rigorosos. Cerca de 65% das contribuições submetidas foram rejeitadas, o que é sempre uma perda – de energias, de intenções e de vontade de colaborar. Por isso, envidamos esforços para tornar ainda mais claras as normas de colaboração. Temos procurado esclarecer os autores que contribuem com o Boletim sobre o tipo e natureza de contribuição que é valorizada pelo projeto. Passamos a envolver os professores de cursos de graduação e de pós-graduação em Relações Internacionais de todo o Brasil, valorizando diretamente a sua participação como autores e co-autores especialmente de artigos de análise de conjuntura e de resenhas de livros.

A experiência do nosso usuário, o leitor leigo ou iniciado em Relações Internacionais, deve ser agradável e deve valorizar o que é essencial, ou seja, o conteúdo que é publicado – é o que imaginamos desde o início do Boletim Mundorama. Tendo isso em conta, testamos ao longo de 2014 uma nova identidade visual, que se consolidou em meados de novembro passado. Essa nova apresentação tornou simples a integração com as mídias sociais e facilitou a busca e o compartilhamento de conteúdo.

Em 2015 queremos ampliar a publicação de conteúdo relevante e útil, com a parceria com novos parceiros e o monitoramento de novos veículos, a exemplo da Revista Carta Internacional e do Boletim Conjuntura Austral. Será também estabelecida uma editoria de vídeo, com editor a ser recrutado por meio de chamada pública. Ele se encarregará da prospecção e da publicação de conteúdo relevante, especialmente para o ensino de Relações Internacionais.

Mas o mais importante, as metas mais preciosas para a nossa equipe para o ano próximo são: continuar contando com a confiança dos nossos autores e colaboradores, que submetem  conteúdo relevante, analiticamente bem amparado e bem escrito e; especialmente, queremos ter a audiência engajada e atenciosa dos nossos principais e mais importantes parceiros, os nossos leitores – leigos e iniciados, da área de Relações Internacionais ou de áreas afins, profissionais ou estudantes, brasileiros ou estrangeiros – afinal de contas, é somente para eles que o nosso Boletim é desenvolvido.

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