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O Nobel da Paz para a União Européia

Eu não creio que o comitê do Nobel seja capaz de muitas surpresas mais, especialmente no que diz respeito à definição do vencedor do Nobel da Paz.

O anúncio da premiação da União Européia, no último dia 12 de outubro, como vencedora de 2012 tem significados históricos importantes: o do reconhecimento da importância do processo de construção da Europa para a superação das divergências que por séculos separaram os povos do continente, processo iniciado precisamente com a reconciliação franco-alemã. Mais recentemente, digamos, desde os anos 1970, essa importância se reafirmou com a decisão de trazer para dentro da integração econômica democracias recém-estabelecidas, como foi o caso da Grécia, e depois da Espanha e de Portugal. No extremo desse entendimento, mesmo o alargamento em direção às antigas zonas de influência soviética, a partir dos anos 2000.

Esse foi o centro do argumento que desenvolvi em livro publicado em 2003: A Construção da Europa: a última utopia das relações internacionais. Eu dizia “a última utopia” porque perguntava justamente se os europeus tinham logrado por fim definitivamente à guerra como resultado para a obtenção de resultados externos (e não seria essa a “ultima utopia das Relações Internacionais”?).

Deixemos de lado, portanto, as indefinições acerca da zona do euro e a persistente crise econômica que sacode os espíritos por todo o continente.  Foi o que fez o Comitê do Nobel, reconhecendo a construção histórica extraordinária que é o processo europeu de integração.

Em tempo – eu preparo uma nova edição do livro, que deve sair pela Editora Saraiva em 2013.

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