Para os meus alunos

Discurso como paraninfo da turma de formandos em Relações Internacionais da UnB (2/2009), em 25/02/2010

Prezados Formandos,

Eu quero, em primeiro lugar, agradecer por terem me escolhido como seu Paraninfo. É com emoção que eu recebo esta homenagem. Eu não supunha que a minha modesta contribuição no ensino de graduação em Relações Internacionais da nossa universidade, e portanto, na sua formação, fosse suficiente para motivar tal distinção.

Eu ensino “Relações Internacionais do Brasil”, ou História da Política Externa Brasileira. Esse é um recorte bem específico da nossa realidade, que muitas pessoas imaginam conformar uma zona habitada por fantasmas de príncipes, embaixadores, e de generais em guerra. Um campo do nosso conhecimento no qual, se poderia supor, seria possível escutar em sussurros os segredos de Estado e no qual ecoariam os gritos dos soldados. Seria possível imaginar que se trata de uma disciplina na qual nos ocupamos das tragédias e das glórias pretéritas da nação.

Sempre julguei, entretanto, que essa disciplina, esse recorte do nosso saber, trata muito mais do presente e do futuro do que do passado. Este é o momento que julgo estar reservado na formação em Relações Internacionais para o aprendizado sobre os nossos erros, sobre os nossos percalços e hesitações, mas também sobre os nossos acertos e sobre o nosso potencial como nação. Se trata de uma experiência de conhecimento que aí está, antes de mais nada, para ilustrar jovens inquietos, para alertá-los sobre as suas responsabilidades como cidadãos. Essas responsabilidades serão sempre as lutas por relações mais justas entre as nações, pelo desenvolvimento econômico e social do seu país, contra a obscuridade e, especialmente, contra a miséria das idéias.

Meus Caros Formandos,

Como são belos os momentos como este, que eu tenho a honra de testemunhar na noite de hoje… A outorga de grau, que é o que fizemos nesta noite, representa formalmente o fim da nossa primeira caminhada como adultos, a trilha que nos leva a buscar uma identidade profissional, que é o que a universidade nos proporciona. Como toda marcha, essa tem as suas alegrias, os seus momentos inesquecíveis. São as paisagens deslumbrantes que se abrem diante dos nossos olhos, os companheiros que encontramos pelo caminho, alguns dos quais levaremos para toda a vida.

Tem também as suas dores, que são, no meu ponto de vista, as dores do crescimento e as do auto-conhecimento, aquelas que sentimos quando não conseguimos ultrapassar obstáculos, ou quando aqueles que surgiram pela nossa frente foram simples demais e não foram suficientes para estimular a nossa curiosidade e satisfazer a nossa fúria juvenil de aprender e de empreender. É a insegurança que contamina boa parte da nossa experiência como universitários – teríamos feito a escolha correta? teríamos errado nessa caminhada? estivemos à altura dos desafios que a universidade nos apontou? qual carreira poderemos construir com o que aprendemos?

A coragem, o talento e a disposição que demonstraram ao longo da sua trajetória na Universidade se renovarão em novos caminhos, que trilharão como jovens profissionais engajados na construção das suas próprias carreiras. Cada paragem trará novos desafios, que saberão ultrapassar com a mesma dedicação com que se entregaram à sua formação.

É fundamental que não percam nunca, jamais, o encantamento ao descobrir novos temas, novos ambientes profissionais e intelectuais, novos colegas e companheiros que farão parte também da sua trajetória de vida. Guardem, para cada descoberta, o mesmo deslumbramento que estampavam quando da sua chegada à Universidade de Brasília, alguns poucos anos atrás.

A alegria dos seus pais, das suas famílias, dos companheiros, e dos amigos, que testemunhamos agora, é sincera e traduz de certo modo também o júbilo desta Casa, dos seus professores, tanto do Instituto de Relações Internacionais quanto de todos os centros e departamentos que de algum modo contribuíram com a sua formação. Todos os anos a Universidade forma centenas de jovens profissionais como vocês. Ela os guarda, a cada um de vocês, em sua individualidade, na sua memória como instituição e como centro de produção e de difusão do conhecimento.

Este momento, antes de significar um adeus, quer dizer até breve. A Universidade de Brasília é a sua casa, e não hesitem em retornar, a ela ou a qualquer outra universidade, para aprimorar a sua formação, ou quem sabe, para dar início a novas caminhadas.

Desejo a todos os meus jovens colegas, como bacharel em Relações Internacionais que também sou, muito boa sorte.

Que Deus os abençoe.

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