Antônio Carlos Lessa

Cada um com o que é seu: as migrações internacionais e a diáspora brasileira

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O Brasil, como outros países da América Latina, foi o destino de expressivos fluxos imigratórios até a década de 1960. Entretanto, a partir da década de oitenta, esses países conheceram a dinâmica inversa dessa corrente – a emigração de nacionais, que constitui uma descontinuidade histórica de larga proporções.

As origens dessa contra-corrente se localizam na paralisia dos processos de desenvolvimento que tornaram os anos oitenta conhecidos como os “anos perdidos”, quando a emigração passou a ser considerada em diferentes segmentos das sociedades latino-americanas como uma alternativa real ao estreitamento de horizontes criado pela letargia econômica. A estagnação econômica experimentada pelos países latino-americanos produziu a precarização das relações de trabalho, o aumento da desigualdade social, da instabilidade social e política, da violência e da vulnerabilidade. Tais circunstâncias foram ainda mais dramatizadas com o início das políticas liberais implementadas pelos governos desses países a partir do início da década de noventa. Leia o resto deste post »

Escrito por Antônio Carlos Lessa

12/01/2010 em 16:34

US government looks to expand scientific open access policy

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The US government’s Office of Science and Technology Policy is hosting a forum for debating an expansion of an open access policy, used by the National Institute of Health, that guarantees all publications derived from the agency’s funding are available to the public within one year.

Veja o restante aqui.

Escrito por Antônio Carlos Lessa

14/12/2009 em 18:51

Publicado em Sobre a Web

Brazil, an emerging power? A special issue os RBPI

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The economic opening of the 1990s prepared Brazil to have an important role in the international system. At the 21st century, the country took out from poverty about twenty million citizens, promoted economic growth, advanced South American integration, kept traditional partnerships with the North, established coalitions with emerging countries and became a leader in several multilateral negotiations.

Revista Brasileira de Política Internacional – RBPI (http://www.scielo.br/rbpi) will publish in September 2010 a special issue organized by Amado Luiz Cervo, Professor Emeritus of the University of Brasília.

This number aims at evaluating the performance of Brazil in the international system during the two mandates of Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Thus, we welcome submissions focused on the following thematic axes: multilateral negotiations agenda, bilateral partnerships, internationalization of the economy, foreign trade, coalitions and regional blocks, energy, environment and security issues.

All submissions should be original and unpublished, must be in the range of 50,000 characters (including spaces and footnotes), must be written in English, including an abstract of less then 70 words [and 3 key-words in English]. Follow the Chicago System (author, date), in accordance with the examples below:

For articles:
CERVO, Amado Luiz (2003). Política exterior e relações internacionais do Brasil: enfoque paradigmático. Revista Brasileira de Política Internacional, Vol. 46, Nº 1, p. 5-25.

For books:
SARAIVA, José Flávio S. , Ed. (2003). Foreign Policy and Political Regime. Brasília: IBRI, 364 p.

For documents on the internet:
PROCÓPIO, Argemiro (2007). A hidropolítica e a internacionalização amazônica, published at Mundorama.net [http://mundorama.net/2007/09/13/a-hidropolitica-e-a-internacionalizacao-amazonica/]. Available on: 18/04/2009.

All contributions will be submitted to blind peer review. Submissions to this special issue should be send to brazilunderlula@ibri-rbpi.org untill 30th of June 2010.

Escrito por Antônio Carlos Lessa

07/12/2009 em 22:50

Número 2/2009 da Revista Brasileira de Política Internacional

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Lançamos em 15 de novembro, adiantados em um mês, o número 2 do Volume 52 (2/2009) da Revista Brasileira de Política Internacional – RBPI (http://www.scielo.br/rbpi), cujo sumário segue abaixo.

Esta edição traz as seguintes contribuições:

Artigos

  • Efetividade do Órgão de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio: uma análise sobre os seus doze primeiros anos de existência e das propostas para seu aperfeiçoamento, por Marcelo Dias Varella
  • O Brasil e a comunidade dos países de língua portuguesa (CPLP), por Shiguenoli Miyamoto
  • O Itamaraty dos anos de chumbo – O Centro de Informações do Exterior (CIEX) e a repressão no Cone Sul (1966-1979), por Pio Penna Filho
  • América do Sul: construção pela reinvenção (2000-2008), por Thiago Gehre Galvão
  • Coréia – “Tigre” em turbulências, mistérios no norte, por Victor Sukup
  • Las Memorias Del duque de Sully (o los avatares del primer proyecto de unión europea), por German A. de La Reza
  • Os processos de partilha da soberania na União Européia, por Diego Santos Vieira de Jesus
  • Gulliver na Amazônia e as aventuras do indigenismo nas Relações Internacionais, por Argemiro Procópio
  • Protocolos de Montreal e Kyoto: pontos em comum e diferenças fundamentais, por Darly Henriques da Silva
  • O poder militar como instrumento da política externa brasileira contemporânea, por João Paulo Soares Alsina Jr.

Resenhas

  • O interesse e a regra: ensaios sobre o multilateralismo, por Leandro Freitas Couto
  • El fascismo en el siglo XX. Una historia comparada, por Raúl Bernal-Meza

Assinaturas da RBPI podem ser feitas na Loja do IBRI, que se acessa aqui.

Escrito por Antônio Carlos Lessa

28/11/2009 em 15:17

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Procrastinação

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Procrastinação é, em poucas palavras, a danação…

Vi primeiro aqui.

Escrito por Antônio Carlos Lessa

30/10/2009 em 08:47

Publicado em Para os meus alunos

Rosário, Argentina

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Desde 9 de outubro estou em Rosário, Argentina. Aqui ministro aulas no programa de doutorado em Relações Internacionais da Universidad Nacional de Rosário. Mais especificamente, um curso especial sobre história da política exterior do Brasil, para jovens pesquisadoras interessadíssimas e extremamente competentes.

Escrito por Antônio Carlos Lessa

12/10/2009 em 17:23

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Como a tecnologia pode facilitar a redação de trabalhos científicos – gerenciadores de referências

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Há bons serviços de gerenciamento de referências, inclusive com interface Web. Escolha o que melhor se adapta às suas necessidades e o que considerar mais simples de usar. Listo abaixo alguns deles:

Tenho usado com bastante sucesso o Zotero. Tem algumas deficiências, como a falta da folha de estilos ABNT, mas creio que isso é largamente compensado pelo fato de que esse plugin para o Firefox sincroniza os dados da sua biblioteca entre múltiplos computadores, sendo também possível acessar as referências pela internet, no portal do projeto.

O Zotero e outros da lista acima também tem integração com editores de texto, como o Microsoft Word e o Open Office.

Escrito por Antônio Carlos Lessa

02/10/2009 em 18:10

Publicado em Para os meus alunos

Seminário “Visões da Política Exterior do Brasil Contemporâneo: a produção científica da Universidade de Brasília”

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Realizaremos no próximo dia 24 de agosto o seminário de lançamento da Coleção “Relações Internacionais”, uma das atividades do nosso projeto integrado de pesquisa “Parcerias Estratégicas do Brasil: a construção do conceito e as experiências em curso”.

Essa coleção se inicia com a publicação de sete extraordinários livros, resultados de brilhantes pesquisas de mestrado e de doutorado.

O seminário terá lugar no dia 26 de agosto, a partir das 14h, no Auditório Joaquim Nabuco (Prédio da Face, Universidade de Brasília, Campus Universitário Darcy Ribeiro, Asa Norte, Brasília).

No mesmo dia, a partir das 19:30h, os autores participam de noite de autógrafos na Livraria Cultura de Brasília (Shopping Casa Park). Leia o resto deste post »

Escrito por Antônio Carlos Lessa

20/08/2009 em 16:57

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Como fazer apresentações em Congressos

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Os meses de junho e julho foram pródigos de eventos com repercussão na área – LASA, no Rio; ANPUH, em Fortaleza; e, finalmente, ISA-ABRI, também no Rio. Neles vi muita coisa interessante, e outras nem tanto, como costuma acontecer nesse tipo de mega evento. Também vi muita repetição, e os produtos pasteurizados de sempre.

Os pasteurizados, por sinal, parecem se inspirar na dica extraordinária que se vê no vídeo abaixo… basta trocar “chicken” por qualquer outra expressão. Hilário…

Vi primeiro aqui.

Escrito por Antônio Carlos Lessa

04/08/2009 em 17:06

Publicado em Diversão & Arte

Coleção “Relações Internacionais” – UnB-Juruá

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Lançamos neste mês a Coleção “Relações Internacionais”, em parceria com a Editora Juruá, de Curitiba.

Na Coleção serão publicados livros de autoria dos pesquisadores vinculados ao projeto integrado de pesquisa “Parcerias Estratégicas do Brasil: a formação do conceito e as experiências em curso”, como também de alguns dos nossos alunos e associados. Esse projeto é financiado pelo CNPq, e entre os seus produtos estão Mundorama – Iniciativa de Divulgação Científica em Relações Internacionais e a grande série de seminários e cursos de extensão que temos organizado desde o ano passado.

Escrito por Antônio Carlos Lessa

04/08/2009 em 16:58

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Oração Poderosa para Nossa Senhora Destrancadora de Teses

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Recebi a notinha abaixo de um dos meus orientandos, provavelmente cumpridor dos prazos. Nunca quis ser cruel com os meus orientandos que não cumpriram os seus prazos, por isso nunca cheguei a sugerir a Oração Poderosa para Nossa Senhora Destrancadora de Teses para resolver os seus problemas… Mas é bom compartilhar com tantos quantos acreditem que possa ser útil.

—–

Exu Tranca Tese
(Rose Paixão)

Você está na reta final da sua tese, dissertação ou monografia?
Você sente que existe uma força misteriosa que tira seu ânimo? Faz seu orientador adoecer ou sumir do mapa inexplicavelmente? Seu computador quebra ou é roubado com todos os seus dados e análises?
Lamento ser o portador dessa má notícia, mas… VOCÊ TEM UM EXU TRANCA TESE NA SUA VIDA!!!
Esta é a corrente da Nossa Senhora Destrancadora de Teses. Você deve evocar esta novena toda vez que for vítima de alguma das artimanhas do ‘Exu Tranca Tese’ ou se quiser apenas proteção contra essa entidade!!!
Então, toda vez que sentir necessidade, faça a seguinte oração:

‘Nossa Srª. Destrancadora das Teses, em ti confiamos para a proteção contra o Exu Tranca Tese, nos proteja de: Queimação de pen drive; bibliografia em alemão; visita fora de hora; linha no word que não sobe com ‘del’; fotocopiadora quebrada.

Dá-me: encontros com o orientador no corredor da Universidade e livro emprestado com data de devolução pra 2050.

Ah, senhora, livra-me também das perguntas indiscretas, das dúvidas fora de hora, e das certezas idem. Ajuda-me a lembrar dos nomes dos autores e da pronúncia deles, assim como do modo como se faz notação de revistas.

Nossa Senhora, livre-me de pensamentos acerca de minha tese durante meu sono.

Que eu possa dormir o sono dos justos impunemente, sem que eu tenha que me levantar ou acender a luz para anotar insights invasivos que detonam minha mente quando preciso descansar para mais um dia de batalha! Que tais pensamentos venham na hora certa, quando me sento diante de meu PC e eu não me torne um zumbi.

Ó Senhora, desperta no meu orientador uma enorme vontade de ler minha tese. Que ele a leia com olhos vigilantes, para não deixar passar nenhuma monstruosidade, mas também com olhos piedosos, para me deixar ir enfrentar a banca. E que a banca, Senhora, me dê os apertos que achar necessários, mas que ao final assine a poderosa ata, redenção final dos meus inúmeros pecados.

Nossa Senhora, meu orientador insiste em dizer que a minha tese está, entre aspas, uma m…, mas eu sinto que a Senhora vai me dar um luz bem forte e lançar como de um passe de mágica, artigos que abram meu cérebro tão debilitado por tamanha pressão.

Minha Santa querida, já que eu fiz esta escolha na minha vida e sinto na obrigação de terminar, me dá forças para não matar um!

AMÉM!!!!

E não seja egoísta, repasse esta oração imediatamente a todos os seus amigos e alunos que estão passando pela mesma pressão, senão o Exu não vai te largar e você vai passar o resto da sua vida ‘quase’ terminando sua tese.

Escrito por Antônio Carlos Lessa

29/07/2009 em 10:17

Chrome OS

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Em cinco anos, no máximo, não fará diferença o sistema operacional que você usa no seu computador. Tudo está indo para a rede, de aplicativos simples a suites on line (processadores de texto, planilhas eletrônicas, programas de apresentação etc). O Google deu mais um passo nessa direção, com o anúncio de um novo sistema operacional. Veja aqui.

Escrito por Antônio Carlos Lessa

14/07/2009 em 19:53

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Mestrado e doutorado em RI na UnB com inscrições abertas

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Acho sempre muito interessante que a maioria dos dos bons candidatos no processo de seleção do nosso programa de pós-graduação desconhece que grande parte dos temas da agenda internacional pode ser estudada em qualquer uma das duas áreas que temos (Política Internacional e Comparada e História das Relações Internacionais). Isso acaba produzindo uma concentração arriscada de candidatos na área de Política Internacional e Comparada, enquanto uma boa parte dos candidatos poderiam estar concorrendo na área de História, uma vez que os seus temas de fato poderiam ser tratados à luz da metodologia de pesquisa histórica. Como a maiora quase absoluta desconhece isso, temos então o seguinte quadro: grande concorrência na área de PIC e baixa concorrência (mas muito mais qualificada em termos comparativos) na área de HRI.

Faço aqui então um desafio aos bons candidatos ao nosso programa: por que não ensaiar a candidatura para a área de HRI, pesquisando um pouco mais sobre a metodologia de pesquisa de história? Lembro pois que praticamente tudo pode ser estudado nas duas áreas do nosso programa (porque muita gente tem a impressão de que na área de HRI se estuda apenas a época dos dinossauros), como pode se ver em uma seleção simples de trabalhos concluídos na nossa área de concentração – aqueles que eu mesmo orientei, que se acessa aqui.

Estão então abertas as inscrições para o processo de seleção do nosso programa de pós-graduação, um dos dois melhores do Brasil, ao lado do da PUC-Rio. Mantendo a tradição, atraímos todos os anos dezenas de bons candidatos de todos os lugares do país, e temos sido felizes em compor boas turmas, bem competitivas e produtivas. Veja aqui o edital de seleção e considere, para todos os fins, a área de História das Relações Internacionais – que, como eu gosto de dizer, faz parte de uma das melhores tradições da Universidade de Brasília.

Escrito por Antônio Carlos Lessa

07/07/2009 em 08:13

Cuba na OEA

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Os analistas das relações internacionais na América Latina há muito se perguntam quando a Organização dos Estados Americanos voltaria a se fazer valer como foro de repercussão dos problemas da região e finalmente daria início à ambição de décadas de funcionar como câmara de prevenção e de resolução dos conflitos que de tempos em tempos agitam as Américas. Pode-se crer que um primeiro passo nessa direção foi dado em 3 de junho de 2009, quando a Assembléia Geral da Organização revogou o ato que suspendia Cuba da entidade desde 1962.
Manter Cuba afastada da comunidade interamericana por tanto tempo era uma das decisões herdadas dos tempos da Guerra Fria que há muito não fazia mais sentido. A suspensão do país da OEA se deu na histórica Assembléia de Punta del Este de janeiro de 1962, convocada para debater os efeitos da Revolução Cubana nas relações internacionais hemisféricas, que acabou aprovando a sua suspensão tanto da organização quanto da Junta Interamericana de Defesa (JID). Tempos difíceis eram aqueles, nos quais se temia o extraordinário potencial que as idéias da revolução liderada por Fidel Castro tinha de contaminar os sistemas políticos da região e se considerava que o comunismo era incompatível com os princípios da comunidade interamericana.
De certo modo, entretanto, a suspensão de Cuba naquele momento deve ser entendida no seu contexto e à luz dos próprios princípios formadores da OEA: a organização, afinal, foi criada para defender a região das ameaças externas, que naquele momento eram sinônimo de ameaças comunistas. A postura brasileira na Conferência de Punta del Este de certo modo traduz esses princípios: o governo de João Goulart condenou o comunismo, votou a favor da suspensão de Cuba da JID (porque se tratava, de acordo com a avaliação brasileira, justamente de resguardar os aspectos de segurança), mas votou contrariamente à decisão de suspender o país da OEA.
É evidente que os problemas de Cuba não residem na sua exclusão por tanto tempo da comunidade da OEA. O regime dos irmãos Castro dá mostras extraordinárias de sobrevida, resistindo inclusive ao mais importante dos seus desafios, que são os embargos dos Estados Unidos. Nesse quesito, o discurso conciliador que o Presidente Barack Obama dirige às regiões e aos países que possuem agendas tensas com os Estados Unidos não dá mostras de generosidade suficiente para levantar esse último empecilho. Não deixa de ser um alento, entretanto, que a decisão de revogar a suspensão de Cuba da OEA tenha contado inclusive com o voto favorável de Washington, mas ainda há que se esperar pelo mais efetivo gesto de boa vontade para com Cuba, que seria o fim das sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos ao governo de Havana. Suspeita-se que esse poderia ser inclusive o ato mais efetivo na derrocada do regime dos irmãos Castro e para a abertura democrática da ilha.
A OEA se transformou nas últimas décadas em uma organização de baixa efetividade, mas que procura se renovar e encontrar novos esteios para a sua ação.  Se não há mais a certeza da incompatibilidade de regimes comunistas com os preceitos da comunidade interamericana, há ainda a incompatibilidade dos regimes autoritários. A OEA se renovou justamente nessa direção, com a aprovação em setembro de 2001 da Carta Democrática Interamericana, que entroniza a democracia e o respeito aos direitos humanos como novos valores da comunidade interamericana.
Ainda que Havana tenha feito pouco caso da decisão da Assembléia de San Pedro Sula (Honduras) que revogou a suspensão do país da OEA, indicando que no curto prazo a sua reintegração não deve ocorrer, o fato é que a medida reforça a estratégia de renovação da OEA. Ela põe fim a uma decisão anacrônica, que durando 47 anos deu mostras da sua irrelevância, e indica que Cuba deverá, se reintegrada, passar a promover o patrimônio da organização, que reside na promoção da democracia e dos direitos humanos sem condições.

Publicado em Meridiano 47 – Boletim de Análise de Conjuntura em Relações Internacionais, No. 107 – Junho – 2009.

Escrito por Antônio Carlos Lessa

30/06/2009 em 17:12

Novo e muito bom número da RBPI

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Acabamos de tirar da gráfica o novo número da Revista Brasileira de Política Internacional – RBPI, uma edição de qualidade extraordinária, que traz as seguintes contribuições:

Artigos

  • La Argentina y el Plan Marshall: promesas y realidades, por Mario Rapoport & Claudio Spiguel
  • União Européia, reformas institucionais e déficit democrático: uma análise a partir do mecanismo de co-decisão, por Marcelo de Almeida Medeiros & Cinthia Regina Campos
  • Instituições, Direito e Soberania: a efetividade jurídica nos processos de integração regional nos exemplos da União Européia e do Mercosul, por Patrícia Luiza Kegel & Mohamed Amal
  • Normas e redistribuição: um estudo sobre condicionantes internacionais das políticas de combate ao racismo no Brasil, por Rodrigo de Oliveira Godinho
  • Política externa planejada: os planos plurianuais e a ação internacional do Brasil, de Cardoso a Lula (1995-2008), por Antônio Carlos Lessa, Leandro Freitas Couto & Rogério de Souza Farias
  • A política estadunidense de desgermanização do sistemade transporte aéreo brasileiro: o caso de Condor, por Tânia Quintaneiro
  • Ordem e Justiça na Sociedade Internacional pós-11 de Setembro, por Emerson Maione de Souza
  • Argentina, Brasil e Venezuela: as diferentes percepções sobre a construção do Mercosul, por Miriam Gomes Saraiva & José Briceño Ruiz
  • A política comercial da administração Bush: O CAFTA-DR e a resistência interior, por Thiago Lima

Resenhas

  • O universalismo europeu: a retórica do poder, por Paulo Ricardo Muller
  • Peace in International Relations, por Fernando Cavalcante
  • The Post-American World, por Fábio Albergaria Queiroz

Assinaturas da RBPI podem ser feitas na Loja do IBRI, que se acessa aqui.

Escrito por Antônio Carlos Lessa

30/06/2009 em 15:28

Publicado em Atividades